MAR

Humberto Campinho

A infância retrata vivências marcantes da vida cotidiana. Ter infância fator primordial para uma saúde mental. Morar no suburbio do Rio de Janeiro algo diferencial para um crescimento como pessoa, com visão de entender as diferenças e vivencia-las com naturalidade. A imensidão do “Mar” fez parte do enriquecimento da infância , em suas múltiplas facetas. Tem onda forte, onda fraca, marola, tem mar virado, piscina no mar, mar azul, verde,  amarelo.  que tem a oportunidade de ter o contato com o mar em suas multiplas facetas.

Lembranças de passeios de lotação, algo parecido com um Van de hoje, para levar a vizinhança para lazer fez parte do aprendizado da vida. Meu pai motorista de lotação da linha Cascadura – Bangu tinha esse prazer e  disponibilidade no final de semana. O local preferido eram as praias da região do ramal de trem de Mangaratiba, trecho que existia o transporte de passageiro por meio de “Maria Fumaça”. Ver o trem se deslocando ao lado do lotação e passando no túnel fazia parte da alegria daquela comunidade que lotava o lotação. Tudo era festa e se tranformava em samba.

A chegada na praia era de total felicidade com muita alegria, com farofa e tudo. Hoje as pessoas não são consideradas farofeiras por que levam farofa com frango, a galera  leva mesmo para as praias da zona sul do Rio seus isopores ( cooler ), nome chique.

Bacana, para o Mar todos são iguais, todos tem acesso independente de ser preto, branco, religião, idoso, criança, sexo, rico, pobre; sempre cabe naquele espaço que é da natureza.

Olha o Mar! Exclama Dona Maria Lavadeira, como era carinhosamente chamada pelos vizinhos e amigos. Aquela negra rezadeira que todos respeitavam e amavam. O Motorista avisa a todos: retornaremos no fim da tarde, no pôr do sol!! Entenderam?

A festa continua sem preconceitos naquele Mar calmo, onde os visitantes podem caminhar dentro da água um longo trecho com nível da água na cintura, numa areia escura e grossa. Sol ardente. Dia maravilhoso, como a cidade maravilhosa. Onde as crianças rolavam na areia muitas vezes com seus pais também incluidos, num convívio familiar que dinheiro nenhum paga. As bóias que eram câmaras de ar de penus de lotação, passam a ser a maior curtição e disputadissima. Como  é lindo ver uma bóia cheia de gente de todas as idades disputando espaço, afunda, vira pula assim todos se divertem. Várias experiências de felicidade, agora tudo é samba. Não podia ser diferente, como diz o carioca: tudo acaba em samba.

O motorista alertava está na hora de partimos para Vila Valqueire, bairro residencial, onde as crianças bricavam na rua, de bandeirinha, pique esconde, pular corda, cabra cega, soltavam pipa e muitas brincadeira que as crianças hoje nem conhecem. Nas noites de verão com um calor insuportável, todos estavam na rua com suas cadeiras colocadas nas calçaldas, quando aproveitava para colocar as fofocas em dia. Todos se conheciam, que tempo bom.

Lotação lotado! A canção em ritmo de samba dentro do lotação, onde alguns cantavam e outros dormiam como nada estivesse acontecendo. Fim de linha e muita fecilidade na década de 60. Período em que glorioso foi bicampeão carioca ( 67 e 68), por concidência esse texto está sendo escrito em 2018. Acredite se quiser o Botafogo Campeão em 2018!! Só alegria!!

Oficina de Crônicas – Sesc – São josé dos Campos – 08/04/2018

Professora: Marina Cardoso

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