FUSCÃO MOVIDO A ÁLCOOL

CARLA MARIA DOS SANTOS FERRAZ ORRÚ

 

 

Era noite de Natal. Como todos os anos, nos reuníamos na casa de minha tia, irmã de meu pai, para a ceia. Meus avós moravam com ela numa edícula nos fundos. Havia uma mesa enorme no quintal com muito espaço para os filhos, genros, noras e netos. Comidas deliciosas, show do Roberto Carlos “bombando” na sala, todo mundo pra lá e pra cá na maior animação, cuidando dos últimos preparativos.

Fazíamos amigo secreto para trocar presentes, porque era muita gente, não dava pra dar presente pra todo mundo. Dos presentes que ganhei nestes encontros, lembro-me bem de dois: um disco (LP do “Estúpido Cupido” que era a trilha sonora da novela do mesmo nome que passava na televisão) e o “Jogo do Petróleo”, um dos brinquedos de que mais gostei na vida, nunca mais encontrei pra comprar.

Naquele disco, havia a música “Meu Mundo Caiu”, da Maísa! Que luxo uma criança de 8 anos gostar disso. Depois vieram tantas Xuxas, Maras e Elianas com seus Dedinhos. Isso pra não mencionar, já mencionando, as desgraças em forma de galinhas e porquinhas.

Deu-se que no dia em que esta história aconteceu, entre os aperitivos e belisques antes da ceia, meu primo mais velho, eu e algumas primas começamos a bebericar todos os restinhos dos copos dos adultos: batidinhas, cerveja, vinho, e o que viesse. A intenção era provar um pouco de tudo, e fomos ficando alegrinhos.

Meu avô gostava de rezar a oração do Pai Nosso, antes de iniciarmos a comilança propriamente dita. Fazia uma reflexão, agradecia pelo ano que passara, pela saúde de todos e rezávamos o Pai Nosso de mãos dadas. Desta vez, o momento de ação de graças foi quebrado pelas crianças que insistiam em entoar “Fuscão Preto”, aquela canção popularíssima de Almir Rogério, o tal Fuscão que “era feito de aço e que fez meu peito em pedaços”…

Até hoje não sei quanto tempo isso durou, mas meu vozinho, entre bravo e surpreso, pedia que parássemos de cantar e que nos concentrássemos na oração. A concentração etílica fez efeito, pois éramos pequenos ainda. Rezamos entre um verso e outro da canção, e a lembrança do “porrezinho” infantil ficou pra sempre, recordação divertida que me traz de volta momentos felizes da infância.

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